Praça de Pragas, 23 de Março de 1856



Querido Govaldo,

Me ponho em prantos solidários a sua dor e peço compaixão pela minha dor. Hesitei muito em escrever-te pois a mim considerei trivial as palavras de desabafo que logo após farei. Quem há de me querer tão quebrado como estou... finjo parecer completo e decente quando na verdade estou em pedaços pouco resumidos numa dor de amor... as desconfianças, os não-quereres que me cercam apenas me põe inseguro como minha forma de agir para o mundo e para quem desejo perto de mim! Desejos, como se houvessem muitos que eu visse possibilidade de ser real... quem há de desejar-me por perto? Quem há de lutar por me conquistar com um amor que se grite ao vento! Ninguém, Govaldo! Ninguém! Apenas tú para entender-me na consorte de meus desejos não realizados!

Agradeço por ouvir-me nas palavras feridas que disse-vos, G.M.

Um comentário:

AArK Cianwood disse...

Acho louco que sua escrita seja bem formal, como uma carta antiga. A minha é mais direta e simples, como um soco. A sua é mais refinada.