A perna com a dor de sempre
Os músculos tensionados pelo trauma
Eram vagas lembranças de uma intensa agressão
E você? Você nunca me bateu no rosto
Mesmo intimo do meu corpo
Mesmo afundado e conhecendo todas minhas falhas
Mesmo com raiva e receoso de prover carinho...
Optando por aquilo que não deixa o povo ver...
Tirando felicidades, achando que não machucava...
Pensando nas lagrimas que são cicatrizes piores
que uma mancha de sangue de um corte bem feito...
A cada dezena de lagrimas
Se esvazia o momento que amei, que fui feliz por frágeis instantes
E depois pequenas mortes necrosavam meu corpo e não voltava a cicatrizar ou a viver...
Eu seria inútil e problemático sem as constantes
Andava morto pelas ruas com a palavra dor cravada no corpo
E cheio de significados práticos e insistentes
Você se orgulha por não me bater no rosto?
Você se orgulha de me ver moribundo ou não percebe?